- Para assistir ao Video acima desligue a música na barra
lateral.
Na linguagem do coração, silêncio dos Sabiás
Andréa
Motta
Disseste não à linguagem do coração,
transformaste a adrenalina dos
batimentos
em sensações marginais
subjugaste a emoção dos sentimentos
Renegaste a cumplicidade, a magia
do cio, a natureza do
instinto
revelada nas areias enfunadas ao vento.
No escuro das tuas alamedas
foste cérebro, cérebro,
cérebro!
enclausuraste em teus labirintos
o frescor da hortelã
o perfume da chuva miúda
o sabor dos frutos
maduros
colhidos pela manhã
Não percebeste o vôo da suinara
nem o balido da ovelha
que em ti habita
e definha
a espera de liberdade
Não viste nas noites enluaradas
estrelas cadentes- presságio de
felicidade
nem sentiste o orvalho
gotejar vida em tua epiderme
Não ouviste no verão
a sinfonia única das cigarras,
tampouco o silêncio
dos sabiás
anunciando a chegada do outono.
Racional, terias simplesmente
passado invernos e primaveras
sem a
latência da paixão.
Mas o amor, este menino matreiro,
voa, feito pássaro fascina, faz
reboliço.
às vezes fica, às vezes parte
p'ra encerrar do tempo outros
temporais.
E a razão, Ah! a razão,
agora semeada pelo destino
não perde a
sorte
posta em suas mãos
09/03/06